CAPOEIRA - NOSSO PATRIMÔNIO

Comecei a interessar-me pela Capoeira no ano de 2000, quando fui convidado a filmar um batizado do Terreiro do Amazonas, hoje Cia Terreiro Brasil, Mestre Ronaldo Vargas. Nessa época pus o meu filho Adriano (Doidinho), para treinar no núcleo de Novo Israel, depois o outro filho o PA, com o Mestre Pássaro Preto, Manoa, quando ensaiei os primeiros movimentos. Já com 43 anos de idade, embora tenha praticado karatê e jiu-jitsu quando jovem, havia muito tempo que, sequer, fazia qualquer tipo de exercício. Mas, com muito incentivo do Mestre Pássaro Preto (meu amigo Américo), meus filhos e a garotada que achava um barato eu alí, no meio deles, desenvolvi os movimentos e levei a sério.
Cheguei a ser nomeado conselheiro do Terreiro do Amazonas, convite do meu amigão Ronaldo Vargas, que sempre me incentivou, apresentando-me como Mestre Derme, o que já estava pegando, quando resolvi adotar o nome de capoeira Mister Derme, pois todos já estavam imaginando que eu fosse, realmente mestre. Era o grande Ronaldo Vargas quem me apresentava assim, por isso não duvidavam disso.
Em 2002, juntamente com o Mestre Peninha, fundei o Clube de Capoeira Arte & Liberdade, quando conseguimos fazer um trabalho de bom nível, agradando em cheio pelo método de trabalho desenvolvido.
Infelizmente, dois anos depois, tivemos que paralisar as atividades. O meu método de trabalho muito sério começou a incomodar alguns alunos que acreditavam que poderiam criar problemas dentro do meu ambiente de trabalho. Eu não aceitei. Peninha, também, começou a se incomodar com meu jeito sincero de dizer as coisas, direta e francamente. Como já eram seus amigos e alunos antigos, evidente que ele optou pela amizade deles e um dia, sem avisar-me, sem qualquer comunicado, o que seria o correto em qualquer situação , ele abandonou o Arte & Liberdade, ato que já me foi repassado por outras pessoas. Como não podia força-lo a ficar e, também, o ambiente já não seria o mesmo se assim fosse, ainda dediquei-me por algum tempo, mas depois tive que parar, pois o meu tempo estava escasso para isso.
Entretanto, espero, ainda, retornar às atividades do Clube de Capoeira Arte & Liberdade.
Pois bem, aprendi muitas coisas boas, tive muitas alegrias, algumas poucas decepções, como a que citei acima, mas conquistei grandes amizades que me renderam momentos de profundas alegrias e que guardo comigo, hoje, dentro do meu coração.
Sinto imensa falta de tudo isso e sei que, em breve, poderei retornar às visitas aos meus amigos, suas academias, rodas, etc...
Em verdade, o que desejo levantar aqui é um assunto que sempre deixa-me muito entristecido, ou seja, a irresponsabilidade e falta de caráter de alguns capoeiristas que levam a violência covarde às rodas de Capoeira.
Principia-se a ser incutida em nossos conterrâneos a noção de que cada cidadão brasileiro é, de algum modo, condômino dos bens de valor histórico, artístico e cultural existentes no país.
Não poderemos construir uma Capoeira digna com a destruição do seu passado e da sua tradição histórica.
A proteção do patrimônio não fica assegurada pelo preceito constitucional que a institui, nem pelas disposições da lei especial que estabeleceu as normas da sua organização nem, ainda, por meios das sanções incluídas como reforço no Código Penal Brasileiro. A defesa só poderá ser garantida pela educação.
Devemos, sim, manter o passado histórico da Capoeira, é necessário, mas para alcançarmos um resultado positivo para a nossa arte é preciso, urgentemente, elaborarmos ou a quem de direito, um projeto para o presente.
Resgatar a Capoeira é resgatar cidadania.
É preciso qualificar pessoas para isso, pessoas com mentalidades desenvolvidas para reconhecerem quão importante é organizarem-se com fins de praticarem a Capoeira com responsabilidade, como desejava Mestre Pastinha ao dizer: "HOJE VEJO REDUZIDO, OS CAPOEIRISTAS PERDERAM SUA FORÇA DE VONTADE, NÃO PROCURAM O FUNDAMENTO, SÓ QUEREM APRENDER A PRÓPRIA VIOLÊNCIA". E, acrescenta: "A CAPOEIRA ESTÁ DIVIDIDA EM TRÊS PARTES, NOTE BEM, AMIGO, A PRIMEIRA É A COMUM, É ESTA QUE VÊ O PÚBLICO, A SEGUNDA E A TERCEIRA É RESERVADA NO EU DE QUEM APRENDEU, E É RESERVADA COM SEGREDO, E DEPENDE DE TEMPO PARA APRENDER. A PROVA ESTÁ NO CONHECIMENTO DA CAPOEIRA DO PASSADO E DO PRESENTE. A DO PASSADO ERA VIOLENTA, ERA VIOLENTA, MAS PARA MALANDRAGEM, E A DE HOJE É COMO TODOS VEMOS, RESERVAMOS À MISÉRIA. PELA DEMOCRACIA, NÓS QUEREMOS DIVERTIMENTO".
Procurar bons mestres para não aprender falsos princípios, nem servir de pasto ao orgulho e à vaidade de falsos mestres.
"EU TIREI A CAPOEIRA DE BAIXO DAS PATAS DO BOI E VOCÊS ESTÃO JOGANDO FORA DE NOVO. NÃO FOI PARA ISSO QUE EU CRIEI A REGIONAL E DEIXEI DE HERANÇA PRA VOCÊS", DIRIA MESTRE BIMBA. - Mestre Decanio.
Referiam-se os grandes mestres à violência covarde vista hoje nas rodas de Capoeira, aplicadas por pessoas que, sem estima própria, procuram engrandecimento injetando o veneno vergonhosa da sua covardia nos seus próprios companheiros capoeiristas.
Após o batizado do Clube de Capoeira Arte & Liberdade, no ano de 2002, numa reunião da Federação de Capoeira do Estado do Amazonas, o Mestre KK Bonates, com toda a educação que possui e mostrando respeito, deu-me um puxão de orelha, dizendo: "Você não deveria ter permitido que derrubassem os seus alunos, porque é perigoso, não faz parte de um batizado. Se eu derrubar um aluno meu, já sei como ele irá cair, mas se eu derrubar aluno de outro, fica perigoso porque não sei da forma como ele irá se comportar ao cair no chão. Fiquei envergonhado, porque era o que havíamos tratado, eu e o mestre Peninha, que comandava comigo o Arte & Liberdade. Mas um dos Capoeiristas que havia dado tombo nos nossos alunos disse ter obtido permissão do mestre Peninha para assim agir.
Eu sei que é errado, mas lá havia um mestre e é o mestre quem determina o que pode ocorrer numa roda de Capoeira.
Eu sei que é errado, mas lá havia um mestre e é o mestre quem determina o que pode ocorrer numa roda de Capoeira.
A Capoeira já é reconhecida internacionalmente como Patrimônio Cultural Brasileiro, dos povos da América e da Humanidade.
VAMOS PRESERVAR O NOSSO PATRIMÔNIO! Nós, capoeiristas, somos os responsáveis por isso.
Vamos pôr fim à violência nas rodas de Capoeira!
Fui agraciado com um presente de enorme valor para nós capoeiristas de Manaus, o livro Iuna Mandingueira-Ave Símbolo da Capoeira, do reconhecido mestre KK Bonates, meu amigo, da Associação de Capoeira Cativeiro do Amazonas.
Ainda nao fui receber o meu presente, mas logo marcarei um almoço com tal personalidade para recebe-lo.
Mister Derme
